quinta-feira, 8 de abril de 2010

A tentativa de um novo olhar

Depois de mais um dia de aula na grande cidade do Rio de Janeiro, pego meu primeiro ônibus para casa. Vazio, o ambiente é propício a pensamentos longos, daqueles que quanto mais a gente reflete, maior é a possibilidade de mudar alguma atitude própria. Ainda no clima da Páscoa, refletindo sobre a segunda oportunidade que tempos para enxergar e praticar o bem sem preconceitos, desço do ônibus no ponto rotineiro e espero o próximo.
Uma mulher baixa, com aparência de poucos recursos e com roupas visivelmente gastas pelo tempo e pelo uso repetido, se aproxima. Eu, como sempre fiz questão de gritar ao mundo "Chega de preconceitos!", me vi naquela situação, podendo colocar em prática o que tinha pensado na viagem de ônibus. Logo chamei a moça para perto e ofereci um abrigo embaixo do meu guarda-chuva. Conversamos um tempo enquanto o meu segundo ônibus não chegava. Típica atitude de carioca conversar com desconhecidos em lugares de espera. O ponto de ônibus parece ser a alegria dos que sofrem de solidão por aqui.
Enfim chega meu segundo ônibus e lá vou eu. Me despeço da mulher, que mesmo sem sequer saber seu nome, conheço as vidas de seus dois filhos completas. Ela, agradecida pela conversa e pela "carona" sob meu guarda-chuva me diz: "Vai, minha filha. Vai com Deus". Me supreendo com a intonação que ela impôs nessas palavras e retribuo com um sorriso dizendo: "Você também fique com Deus", logo subindo no ônibus. Feliz por ter tido a oportunidade de fazer alguma coisa, eu, na minha nada humilde insignificância, achei que tinha acabado de viver um exemplo do significado da Páscoa.
Hora de escolher meu lugar para sentar. Tinham apenas duas cadeiras vagas, uma atrás da outra, e nos lugares ocupados ao lado de cada uma, tinha um homem forte, negro, de uns 40 anos. Atrás dele, outro homem, branco, que aparentava a mesma idade e com feições mais brandas. De impulso, quase sentei ao lado do homem de trás, branco e simpático. Me senti um lixo em pensar que eu tive esse tipo de impulso e parei a tempo de sentar ao lado do outro homem, negro e com feições um pouco agressivas.
Mais uma vez pensei: "Nossa, eu posso gritar pra todo mundo 'chega de preconceitos!' com a consciência tranquila".
Quase chegando em casa me surpreendo com um rapaz, de estatura mediana, vestido de calça jeans, tênis, uma blusa branca, mochila, de pé ao meu lado. Estranhei, pois àquela altura já haviam mais cadeiras vagas nas quais poderia sentar.
Analisava o rapaz de alto a baixo, quando receei por alguma atitude ruim. O rapaz tira sua mochila, apoia no chão do ônibus e começa a mexer, pelo que parecia, sem muito sucesso, para achar algum objeto. Com os dois olhos bem abertos e alerta para qualquer movimento em falso, o vi retirar de sua mochila um caderno novo, bem cuidado, mas simples, que não parecia caro. O rapaz mesmo com o balanço do ônibus consegue apoio e destaca uma folha. Dobra e entrega o pedaço de papel a outro passageiro do ônibus dizendo: "Coloca esse papel aí na janela pra parar de pingar água em você". O passageiro agradece e segue seu conselho.
Desço no ponto próximo e sigo pra casa me perguntando se eu conseguiria passar pelo menos um dia sem julgar alguém antes que me dê motivos. Respondi comigo mesma: Quem sabem um dia? Afinal de contas, não é só na época da Páscoa que temos a oportunidade de consetar os erros e de poder acertar, e sim, todos os dias. Vou tentar!

terça-feira, 6 de abril de 2010

O peso da responsabilidade por quem cativamos

É estranho pensar no que já foi. Saudade é um sentimento sem uma finalidade que eu consiga enxergar. Para que serve pensar ou reviver alguma coisa que já passou?
Mas quem disse que a gente precisa de motivos convincentes para fazer ou sentir algo? Os motivos podem não ser convincentes, mas eles existem.
Eu mesma costumava dizer que a única coisa que nos move é a nossa vontade. Ninguém faz alguma coisa sem querer. Acontece, muitas vezes, de não gostar de realizá-la, mas prefere agir de determinada forma a aguentar as consequências do contrário.
Mas e os sentimentos? Quem amaria sem ser amado de volta? Quem se relacionaria se soubesse que a saudade vai durar por tanto tempo? Quem olharia nos olhos de outro que não verá por anos e escolheria sentir uma coisa que não vai ser correspondida? Resposta: Provavelmente todo mundo.
O homem necessita de sentimentos e de relacionamentos. Mesmo inconscientemente ele procura algumas coisas para colocar na mala. E quanto mais peso carrega, mais feliz fica. O que é o peso senão a responsabilidade por todos que se cativa no caminho? "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", já dizia a raposa. Mas que peso gostoso de se carregar, não?!
Na vida nós buscamos encher essa mala com pessoas e sentimentos que não passam simplesmente, mas que ficam na nossa história e nos ajudam a escrevê-la.
Eu desejo poder carregar uma mala bem grande e pesada para que quando eu me mudar poder dizer que não passei pela vida em vão.

"Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.
"
Mário Quintana.

sábado, 18 de julho de 2009

Apenas mais uma disputa


Uma coisa eu não entendo: Por que encontramos pessoas na vida que nos fazem bem e não podemos conviver com elas o quanto gostaríamos? Tudo bem que o convívio que existiu foi ótimo, como se valesse para toda a vida, mas não vale! Principalmente na hora da despedida.

Dois amigos que se separam sabem que tomaram decisões e rumos diferentes e que cada um tem de seguir seu caminho da melhor forma possível, porém distantes um do outro. A mente sabe disso, o coração não. Ele grita, esperneia, luta para a separação não ocorrer e quando não há mais esperança de permanecer junto ao amigo, o coração chora.

A briga entre a emoção e a razão não cessa, e não se pode dizer que uma ou outra está equivocada, já que são áreas distintas de reflexão.

O problema é com o alvo desse conflito de emoções e razões. A confusão que pode existir é tamanha que qualquer coisa o afeta, não importando a dimensão.

O mais engraçado é que, mesmo confuso, o amigo, triste com essa separação, ouve sua consciência e tenta seguir sua vida submisso às vontades do destino. Mas ele sabe que não importa a força que faça, nunca conseguirá levar a razão à vitória. A emoção , mesmo calada, alfineta e soca o íntimo com golpes sutis e fortes como uma ferida causada por uma flor.
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"Um dia você aprende... que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher!" William Shakespeare

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Talheres mal intencionados... destrua-os!

Imaginemos um jantar em que um casal troca lindas declarações de amor. O homem diz a sua mulher que a ama e que está feliz em..., e no meio de sua fala apaixonada, seu garfo risca o prato de vidro e produz o conhecido som agudo e estridente que o irrita.

Coitado do pobre casal, todo o romantismo daquela cena se desfaz e, o homem, sem saber como diminuir os efeitos daquele incidente, começa a reclamar do acontecido e todo o momento romântico se perde.

Paremos a narração por aqui e analisemos um pouco os fatos. A culpa do desastre e da desarmonia foi unicamente do garfo ao se aventurar em direção ao prato. Garfos servem para facilitar a ação de comer, não para se atirarem do alto de mãos em queda livre. Tal fato não aconteceria por acaso.

Garfos e facas planejam esse tipo de ação todo o tempo. Esse, em especial, planejou o ataque aos ouvidos do casal desde o início do jantar e esperava a hora certa para agir.

Deveríamos caçar e destruir garfos e facas mal intencionados para o bem dos ouvidos da população. Quantos gritos de raiva não seriam economizados? Quantos apertos de olhos e trinca de dentes não deixariam de existir?

Por isso, aqui fica registrada a campanha: Vamos acabar com esses talheres que querem destruir a nossa paciência!

sábado, 9 de maio de 2009

Buscando respostas

Desde sempre o homem vive em busca de um ser superior que dê à sua vida algum sentido lógico. Não conseguimos, entretanto, prová-lo em condições racionais e sempre que tentamos nos deparamos com a nossa fé.

O engraçado é que quanto mais estudamos, mais cresce a dúvida do porquê da nossa existência.
Sabemos por exemplo que alguns seres alimentam-se de outros, e assim consecutivamente, na cadeia alimentar. Sabemos ainda que se um deles entrar em extinção essa cadeia se desequilibra. Então podemos deduzir que um ser vivo serve para outro continuar vivo, serve para a manutenção da vida no planeta.

Mas e nós, seres humanos, não tão racionais, para que servimos? Se morrêssemos, qual seria a consequência disso para o planeta? Sinceramente acho que a Terra continuaria muito bem a sua existência, e até melhor do que com a nossa presença.

Mas não se desespere! Isso não é um conselho!

Mas quem se interessa por isso? Dificilmente acharei alguém.

A forma que a vida tem, os caminhos que ela vai tomar é o que realmente nos importa.
Para isso escovamos os dentes depois das refeições, cortamos as unhas, tomamos banho e lavamos as mãos... Estudamos, nos apaixonamos, casamos e... temos filhos. Mas depois disso, o que se deve fazer? Depois dessas tarefas naturais ao homem serem cupridas, qual é o sentido que sua vida tem?

E novamente nos deparamos com a fé. O "ciclo natural" da vida quando chega ao fim se depara com o quê? Dependendo da sua religião, você pensa de uma ou outra forma, mas no fim, sempre fica tudo bem. Para isso, vivemos.

"Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade."
Allan Kardec

Para refletir, dois textos de Charles Chaplin:

"Hoje levantei cedo pensando no que tenho
a fazer antes que o relógio marque meia noite
É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje
Posso reclamar porque está chovendo
ou agradecer às águas por lavarem a poluição
Posso ficar triste por não ter dinheiro
ou me sentir encorajado para administrar
minhas finanças, evitando o desperdício
Posso reclamar sobre minha saúde
ou dar graças por estar vivo
Posso me queixar dos meus pais por não
terem me dado tudo o que eu queria
ou posso ser grato por ter nascido
Posso reclamar por ter que ir trabalhar
ou agradecer por ter trabalho
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus
Posso lamentar decepções com amigos
ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades
Se as coisas não saíram como planejei
posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser
E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma
Tudo depende só de mim"


"Minha fé é no desconhecido, em tudo que não podemos compreender por meio da razão. Creio que o que está acima do nosso entendimento é apenas um fato em outras dimensões e que no reino do desconhecido há uma infinita reserva de poder."

Agradecimento à amiga Maria Thereza pela reflexão.